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Por que falta emprego?

gestão de expectativas, ética do trabalho

Devo confessar que poucas vezes na vida encontrei tanto estímulo para escrever como na coluna do Max Gehringer a que me referi no primeiro post sobre esse assunto. A segunda pergunta que ele respondeu foi de alguém chamado Grégor, que pedia uma explicação para o fato de, seis meses depois da formatura, apenas 3, entre 80 colegas, terem conseguido emprego - o Max foi ótimo, afirmando o óbvio: há poucas vagas, ora bolas. O que você acha que as empresas deviam fazer? Aumentar o número de vagas cada vez que uma turma de formandos jogasse seus capelos para o alto em algum auditório bonitinho?

600px-Education_-_Grad_Hat.svgCapelo não é crachá nem carteira funcional.

Mas eu diria ao Grégor (ou, mais precisamente, aos leitores do blog de atitude) que essa pergunta que ele fez esconde (ou revela) um sério problema de atitude profissional. Será que vocês, assim como o Grégor, acham que emprego é uma espécie de prêmio que se concede a alguém por terminar um curso profissionalizante, universitário ou não? Temos, então, um sério problema de gestão de expectativas a resolver aqui.

Quando nos matriculamos em um curso (do maternal ao curso para casais gestantes oferecido pela maternidade local, passando pelo cursinho pré-vestibular, pela classe de catecúmenos e pelo pós-doutorado em astrofísica aplicada à gestão de escolas de samba), não importa o que a propaganda diga, a única promessa válida é a que corresponde à natureza dos cursos: conhecimento(s), habilidade(s) e um certificado ou diploma, além do respectivo recibo pelo pagamento das mensalidades ou anuidades. A consequência natural de um curso não é um emprego, não importa o que lhe tenham dito.

A pergunta do Grégor é absurda. É quase como se ele perguntasse: porque, chovendo como chove na região amazônica, vende-se tão poucos guarda-chuvas ali, comparativamente com São Paulo? É “elementar, meu caro Watson“: guarda-chuvas não são produzidos em relação com a precipitação pluviométrica, mas em relação com a população que não quer molhar-se. E são 40 milhões no estado de São Paulo, contra 15 milhões em toda a região norte do país (incluindo um bocado de tribos indígenas que não ligam a mínima para molhar-se ou não).

Emprego é uma demanda por competências (conhecimentos, habilidades e atitudes) tanto mais valiosas quanto mais raras. Então, como alguém consegue diferenciar-se, tornando rara e valiosa a sua competência? Como ser um dos 3 numa turma de 80? Atitude, meus caros: a única, das três variáveis, que não pode ser transformada em commodity.

Os 80 tiveram acesso ao mesmo volume de informação e a oportunidades similares para desenvolver suas habilidades. O Grégor, entretanto, formou-se sem proficiência na língua pátria, provavelmente uma deficiência comum aos outros 76 desempregados (sem falar de outras possibilidades, de arrogância a mau hálito, passando por chegar atrasado à entrevista e colocar a culpa nos semáforos, aquelas inocentes luzes coloridas que enfeitam nossa vida urbana e sabem exatamente a hora de agir e a hora de dar oportunidade às colegas).

Estude para aprender. Aliás, estude para aprender a aprender. E quando um provável empregador lhe perguntar quais são seus principais defeitos, não responda: “eu sou perfeccionista”. Ninguém é suficientemente perfeccionista para fazer suficientemente bem o que se espera de alguém que tem um emprego: gerar valor para o cliente, produzir a riqueza da nação. Há um bocado de vagas não preenchidas no mercado, inclusive para empresários (porque muito empreendedor iludido quis ser “empresário” pelo motivo errado: “ganhar dinheiro” ou “não ter patrão”). Ainda falarei mais sobre isso.

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Palestra: Excelência na Era da Atitude

ética do trabalho, ética empresarial

Houve tempo em que a competência de alguém era definida por suas habilidades. Competência era sinônimo de eficiência. Há umas duas gerações, tem se tornado comum definir como competente alguém que, além de dominar habilidades, tornou-se capaz de, em função de seu conhecimento, tomar decisões a respeito do que deve ser feito. Eficácia, ou fazer a coisa certa, considerando um número significativo de variáveis de natureza técnica, que demandam significativa capacidade e treinamento intelectual, é o que distingue o trabalhador do conhecimento de seu antepassado, o operário eficiente.

Efetividade, entretanto, é a palavra de nosso tempo. Não apenas cumprir tarefas de maneira diligente e hábil. Não apenas distinguir produtos e atividades que produzem resultados crescentes para a organização daqueles que resultam apenas em custos crescentes.  Neste momento, temos chegado a compreender que as ênfases na qualidade do produto ou serviço e no resultado patrimonial não podem ser desprezadas, mas não são suficientes para garantir a sustentabilidade das organizações e nem das carreiras profissionais.

Assim, o foco deslocou-se, recentemente, do produto e do profissional, mas também não se concentrou por tempo demasiado na organização e nas transações. A demanda mercadológica atual pode ser definida como uma ética de sustentabilidade baseada na geração de valor para o cliente e para a sociedade. Não bastam, então, para definir competência, as habilidades e o conhecimento. É necessário alcançar a excelência na atitude profissional.

Esse é o tema da palestra que a consultora Lígia Fascioni e eu estaremos apresentando na reunião da Confraria Empresarial, no próximo dia 30.09, a partir das 19 horas, no auditório da ACATE (Rua Lauro Linhares, 589 - Trindade - Florianópolis). O evento, franqueado ao público, é realizado mensalmente há pouco mais de dois anos e tem dois propósitos básicos: 1) oferecer a profissionais de quaisquer segmentos oportunidade de desenvolver seu network e 2) por meio de palestras realizadas pelos associados, oferecer a empresários, profissionais e estudantes oportunidade de reflexão e conhecer os produtos e serviços oferecidos pelos membros da Confraria Empresarial, sejam empresas ou talentos profissionais.

A palestra do evento deste mês, além de propiciar a reflexão descrita acima de maneira objetiva e esclarecedora, tem como objetivo complementar apresentar 1) o curso Atitude Pro, desenvolvido por nós dois consultores para ser oferecido a empresas interessadas no desenvolvimento, em seus colaboradores, do foco na geração de valor para os clientes, e 2) lançar oficialmente o site e o blog Atitude Profissional, de iniciativa da Lígia Fascioni, nos quais eu também serei colaborador.

Para a noite do dia 30, quarta-feira, duas recomendações: inscreva-se na palestra, clicando aqui (a inscrição é gratuita, mas a capacidade do auditório é limitada), e  não esqueça de levar seus cartões de visita ou material promocional de seu negócio. Até lá.

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Para celebrar ou para lamentar?

ética do trabalho

Se algum de vocês quiser me irritar profundamente, convide-me para fazer algo que não faz sentido. Posso sugerir uns exemplos: experimente convencer-me a carregar uma faixa com os dizeres “O povo unido jamais será vencido!” ou “Por uma universidade pública, gratuita e de qualidade!”. Ditas por quem as diz e nas circunstâncias em que são lembradas, elas geralmente estão refletindo exatamente a realidade que as nega: quanto mais coesa se mostrar a massa, mais facilmente será manipulada (”toda unanimidade é burra”, dizia um sujeito que podia ser facilmente apelidado “o desunido”); e, certamente, o movimento paredista nas universidades controladas pelo Estado (o que não faz com que sejam mais públicas que quaisquer outras), por fazer do tempo da pesquisa e da docência um tempo para pintar e expor aquela frase já gasta, mostra como ela faz tanto sentido quanto o hino do Grêmio ou do Corinthians (para não me acusarem de partidarismo) - ou seja, nenhum. É puro diversionismo.

Agora, se você quiser “arrumar sarna para coçar-se”, convide o rabugento aqui para fazer uma palestra para sua turma de escolares ou profissionais sobre Tiradentes, o sujeito que deu motivo para que, hoje, um país riquíssimo como o nosso, esbanjando índices altíssimos de desenvolvimento social, com uma produção intelectual invejável (somos o maior país africano em número de Prêmios Nobel, segundo o último levantamento do IBGE - ou será que foi o Kibeloco?), com a melhor infraestrutura de educação, saúde, transportes, telecomunicações, produção e transmissão de energia elétrica do mundo - acabamos de ultrapassar Plutão, aquele planeta superdesenvolvido, em todos esses itens… bem, o tal Tiradentes deu-nos motivo para celebração nacional.

Para começo de conversa, fui pesquisar na Wikipedia o significado de alferes. Podia ser o equivalente a um suboficial das forças armadas. Mas, de fato, designava o equivalente, no meio militar ou em meios civis, àquela figura típica das escolas de samba: o porta-bandeiras. Daí, lembrei-me que a tal Inconfidência Mineira (uma contradição em termos, já que pouca gente é tão discreta quanto os mineiros - de modo que tudo pode não ter passado de intriga da oposição) era liderada por esse “frentista” de escola de samba do século XVIII, mas a profissão mais representada entre seus acólitos era a de poeta. Lembro os nomes de dois (não lembro o nome da professora de História que os inculcou em meu cérebro, entretanto): Cláudio Manoel da Costa e Tomás Antonio Gonzaga. Não adianta procurar nos anais da Academia do Fardão - além do fato de que ela não existia naqueles tempos pré-diluvianos, a poesia deles mal chegava aos pés de José Sarney, o do Plano Cruzado. Cada um tem o Bertolt Brecht que merece - e o alferes tinha logo dois… Deu no que deu: o maior fracasso privado da história deste país (embora não faça sombra a qualquer um dos enormes fracassos públicos que o precederam ou sucederam). Tão grande que é celebrado até hoje, por increça que parível.

Se eu fosse ensinar História no ensino fundamental, minha primeira proposta seria uma greve disfarçada de celebração: juntaria os cinco maiores fracassos de nossa história nacional - a Reforma Tributária de Tiradentes, o Plano Cruzado, o Plano Verão, o Plano Bresser e o Plano Collor - e os transformaria, não em um holiday, mas em uma holiweek, uma semana inteira de feriados para celebrar nossos grandes fracassos nacionais.

No século XVIII, havia um tal Caminho Novo das Minas Gerais, ao longo do qual o resultado do esquartejamento foi distribuído. É possível que a falta de qualquer novidade nos caminhos que levam a São Luiz do Maranhão ou a Maceió das Alagoas possa ter desestimulado qualquer idéia de repetir o processo cirúrgico nos últimos 25 anos - só tem estrada velha neste país, resultado, inclusive, do fato de que nossos planos todos não passam de indiscrições e incompetências.

Hoje em dia, comemora-se o fracasso e elege-se para a presidência do senado federal o sujeito que presidiu 4 fracassos retumbantes (Cruzado I e II, Verão e Bresser) - os portugueses, sempre alvo de nossas piadinhas mais infames, sabiam lidar melhor com os fracassos (com os nossos, pelo menos) - corda e facão bastavam (ou um desterrinho básico, para a África - afinal, tínhamos tirado tanta gente de lá… era necessário fazer devoluções). Nós precisamos de heróis e feriados - mais destes que daqueles, claro, que ninguém é de ferro.

Falando nisso, daqui a dez dias tem outro: um dia sem trabalho para comemorar o Dia do Trabalho. E depois eu é que sou rabugento… Arre!

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