Visualizando arquivos de dezembro, 2008.

Para que serve sua empresa?

ética empresarial

No dia 28.08.08, coube-me proferir a palestra que, mensalmente, um associado da Confraria Empresarial apresenta a seus pares e convidados. Falei sobre o tema acima - Para que serve sua empresa? - uma palestra sobre o lugar legítimo a ser ocupado pelo segundo setor (aquele formado pelas empresas) no macro-ambiente político, social e econômico.

Eu gostaria de destacar agora alguns pontos apresentados naquela ocasião:

  • responsabilidade social não é uma nova função das empresas - aliás, é possível que boa parte do que se vem fazendo sob essa rubrica seja bastante irresponsável, especialmente se comprometer as responsabilidades básicas das empresas: gerar riquezas de maneira sustentável;
  • não há legitimidade em qualquer organização que busque atender prioritária ou exclusivamente o interesse privado; empresas são organizações criadas pela iniciativa privada tendo em vista o interesse público; se não, o nome que melhor as descreveria seria quadrilhas (e há as que existem disfarçadas de empresas, de ONGs ou de órgãos governamentais);
  • accountability, ou a capacidade e disposição de prestar contas, no caso de uma empresa, é traduzida, primeiro e preferencialmente, pelo Balanço Patrimonial, que demonstra, com maior ou menor sofisticação, a eficiência da organização empresarial para produzir, num período de tempo convencionado, quantidade de ativos a maior possível em relação aos passivos empregados e de maneira que seja sustentável no longo prazo.

É necessário destacar, em nossa cultura de hipertrofia das funções do Estado, que este é absolutamente incapaz de produzir riquezas de maneira sustentável - uma afirmação que não precisa de argumentação teórica, dados a história econômica do mundo e… bem, prá que mais?

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Inovação é… marketing no futuro!

inovação, marketing

No clássico Introdução à Administração, Peter Drucker definiu a organização empresarial como tendo duas funções essenciais: o marketing e a inovação.  Observando o ambiente à nossa volta, poderíamos fazer algumas observações, tendo aquela afirmação em mente:

  • a maior parte das organizações empresariais não sabe o que é marketing (confunde, em geral, o conceito, com publicidade, propaganda, anúncios, etc.; ou quando há alguma imaginação, mesmo sem maior inteligência, com pesquisa de mercado);
  • a esmagadora maioria das empresas não faz marketing (o que pode levar à pergunta se são mesmo empresas);
  • é tão raro encontrar empresas que façam marketing, que quando acontece de identificarmos alguma, ela vira case de… inovação.

Aconteceu há poucas semanas: num evento promovido por determinado órgão representativo de um segmento específico de mercado, cuja temática era inovação, foi convidado a apresentar seu caso o diretor de uma empresa de outro segmento, e ele o fez de maneira brilhante. E brilhante também era o caso apresentado. Admirável sob todos os pontos de vista. Exceto, talvez, pelo fato de que a inovação mais evidente estava no fato de que aquela empresa, no processo de estabelecer-se, havia feito o que dificilmente se vê: ela praticou exaustivamente o marketing, identificando seu cliente, definindo-lhe as necessidades e desejos e, claro, definindo seu negócio para dar resposta encantadora, lucrativa e sustentável a esse cliente.

Claro! É por isso que o mestre Drucker, para definir inovação, apenas colocou no futuro as perguntas que, para definir o marketing, ele enunciara no presente. Porque inovação ainda é marketing, mas um marketing suficientemente sensível para perceber a mudança que ocorre no cliente.

De modo que inovar não é o mesmo que inventar ou, meramente, mudar. Inovar é ser capaz de levar o marketing às últimas sensibilidades, para permitir à empresa promover as mudanças que adequem sua resposta (oferta) às mudanças ocorridas nas necessidades e/ou desejos percebidos (ou na percepção de necessidades e desejos) pelo cliente (demanda).

Inovação, então, é a capacidade de fazer do marketing fundamental a base para a gestão da mudança… ocorrida na mente do cliente (mas é preciso tê-lo identificado e desenvolvido mecanismos para identificá-lo e monitorar a mudança nele). E empresas inovadoras são, não as que surgiram com alguma novidade maravilhosa (derivada de sua maravilhosa habilidade criativa), mas as que souberam ajustar-se, ao longo do tempo, à maravilhosa capacidade de mudar que caracteriza o cliente.

Inovadores, então, não são os jovens rebeldes (que novidade há nisso?), mas qualquer um que, mais velho ou mais novo (e vale para organizações), seja capaz de adequar sua resposta às perguntas sendo feitas agora ou às demandas prometidas para daqui a pouco.

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