Visualizando arquivos de fevereiro, 2009.

Para entender a crise…

ética empresarial
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Grupo Sete em São Bento d

inovação, marketing, ética empresarial

O Grupo Sete é uma organização de prestadores de serviços profissionais e empreendedores com uma visão de colaboração na prestação integrada de serviços a empresas, todos de Florianópolis e alguns associados à Confraria Empresarial.

O grupo está promovendo, na Associação Comercial de São Bento do Sul, nos dias 18, 19 e 20 de fevereiro, a palestra Use a crise para vencer: foque o valor para o cliente, foque as competências da organização, foque o resultado. A responsabilidade pela palestra é do autor deste blog.

O objetivo é, de um lado, chamar a atenção para o fato de que a crise de que ouvimos diariamente, como quase tudo em economia, é um fenômeno psicológico com pelo menos um viés de perda a absorver e não se sabe quantos vieses de oportunidades a explorar. O que aconteceu não é, necessariamente, responsabilidade nossa. Mas, o que faremos agora é, absolutamente, nossa responsabilidade.

Coisas boas para fazer na crise:

  • reunir os colaboradores para conversar sobre a visão de futuro de nossa empresa, de nossa cidade, de nosso país, de nosso planeta…
  • repetir a iniciativa com os fornecedores estratégicos e com os clientes mais importantes…
  • tirar um domingo inteiro de férias e ler o livro “Inovadores em ação”, do William C. Taylor e da Polly LaBarre (por ex.)…
  • tirar um sábado inteiro de férias e passá-lo com a(o) namorada(o), a(o) esposa, os pais e irmãos, os filhos - só para lembrar o que é mais importante que produtos, projetos, dívidas e problemas…
  • convidar o padre ou pastor de sua comunidade para um almoço e café e conversar durante toda a tarde de sexta-feira sobre o livro do Eclesiastes - só para não perder a perspectiva…
  • gastar toda a manhã de uma segunda-feira visitando uma escola de ensino fundamental em sua comunidade, perguntando-se como ajudar a formar melhor os futuros colaboradores de sua empresa…

e, para não perder o hábito,

  • trabalhar duro nos demais dias da semana, com sua equipe, para superar o que se perdeu e aproveitar as novas oportunidades que aparecem todos os dias.

São só sugestões. E não vou sugerir nada que você deva evitar - você já é bem grandinho para não precisar que lhe lembrem os conselhos de sua mãe. Ou não?

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Marolinha em mar azul… - I

inovação, marketing, ética empresarial

Estou lendo A estratégia do oceano azul, de W. Chan Kim e Renée Mauborgne. Exemplar emprestado da Lígia Fascioni, que primeiro comentou o livro comigo.

A primeira pergunta que vem à mente é: “a tal estratégia é alternativa a que outra(s)?” Bem, a ideia é evitar uma “estratégia do oceano vermelho”, caracterizada pela luta sangrenta entre concorrentes lutando por seu lugar ao sol e por alimento num espaço super-povoado (coisa de documentário da Discovery). O subtítulo é  Como criar novos mercados e tornar a concorrência irrelevante. Ah… como dizia Sartre, “o inferno são os outros” - mas nós não somos bárbaros, somos pós-modernos. Ao invés de eliminar os outros num banho de sangue (pós-modernos são politicamente corretos, certo?), nós os tornamos “irrelevantes”.

Falando assim, parece que eu já estou detestando o livro. Não é verdade. De fato, é um excelente livro e seu estímulo à inovação mercadológica é de valor altíssimo. Os cases avaliados, dos quais se deduz a formulação estratégica proposta, são exemplares. A fórmula proposta para a análise de valor e os passos do planejamento e execução da estratégia são muito bem definidos, de fácil compreensão e, até onde minha inteligência permite avaliar, logicamente impecáveis.

O problema fica onde, então? Antes e depois, a meu ver. Os autores começam “criando problema para vender solução”. O resultado é que o diagnóstico subjacente é equivocado e a terapia, embora eficiente no primeiro momento, não é sustentável. Funciona assim: se você entende a dor como se ela fosse a doença, você cura a dor. Muito eficiente e estimulante à imaginação - um mundo sem dor, para o sujeito que está no meio de uma crise de enxaqueca, é o céu, com música da Enya ao fundo e uma penumbra pouco agressiva (enxaquecosos têm fotofobia em algum grau). Então, dá-lhe paracetamol com cafeína. Acontece que o fígado não lida bem com grandes concentrações de paracetamol - e fígado que funciona mal provoca enxaqueca. Complicado, não?

Repetindo: onde está o problema? Não no livro. O problema está na maneira como entendemos duas palavras fundamentais ao sistema político-econômico capitalista: concorrênciacompetição. E, mais que isso, no modo como entendemos a palavra marketing. No final das contas, devo dizer, o problema é ético: o que estamos fazendo, por que estamos fazendo isso e que resultado buscamos? A resposta a essas questões é A resposta que importa.

O próximo post se chamará Marola em mar azul… - II. Aos poucos, podemos chegar a um maremoto. Sem vítimas, naturalmente.

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