Visão - uma imagem do futuro

ética empresarial

A primeira definição no planejamento estratégico que considerarei é a visão de futuro, porque dela dependem as demais, como veremos.

Na definição de empresa que utilizo (uma organização de pessoas com uma visão compartilhada de contribuição social definida em termos de desempenho econômico), a parte em negrito é definidora de todo tipo de organizações sociais.

Ou seja, o que distingue uma organização de pessoas de um ajuntamento de pessoas é uma visão compartilhada de contribuição social. Igreja, Forças Armadas, Parlamento, ONG, Empresa: o cerne distintivo dessas instituições é, sempre, uma visão compartilhada, entre as pessoas que as constituem, de uma dada contribuição social.

O que vem a ser, então, uma visão?

Em primeiro lugar, devemos considerar o significado básico da palavra:

Percepção de formas, cores e relações espaciais através do sistema de captação e elaboração de imagens, formado pelos olhos e pelo cérebro.
(Aulete Digital, Visão, 1)

Estamos falando de visão como o resultado da aplicação de um sentido: o sentido visual. Mas a vida (e nós mesmos) somos mais complexos que isso. E dispomos da faculdade de criar imagens, em nosso cérebro, com nossos olhos fechados ou enquanto dormimos. Até, podemos criar imagens de coisas que não correspondem à realidade visível. Chama-se a isso imaginação.

Ora, a imaginação nos permite recuperar imagens do passado ou projetar imagens no futuro. O mesmo dicionário diz assim:

Pretensa imagem de acontecimento futuro ou passado.
(Aulete Digital, Visão, 5)

Assim, o dicionário estabelece uma relação entre a percepção (capacidade de desenvolver imagens da realidade como percebida pelos sentidos) e a imaginação (capacidade de criar imagens sem relação direta com a percepção sensorial).

Mas há outra definição, que acresce um detalhe:

Fig. Desejo, expectativa, sonho.
(Aulete Digital, Visão, 8)

Agora, temos a entrada em cena de um outro componente: a vontade humana. Nas definições anteriores, havia apenas capacidade para ver o que há e o que não há. Mas, aqui, encontramos, também, o desejo, a vontade de ver algo, existente ou a ser criado. Isto é o tipicamente humano.

Assim, eu gostaria de propor uma definição para a visão, esse componente básico do planejamento estratégico.

Visão é a descrição de uma situação futura, imaginada e desejada, a qual reflete uma mudança, em relação ao presente, causada pelo ação intencional de uma pessoa ou de uma organização.

A Visão, então, é a expressão de um resultado. Compartilhada com todos aqueles que devem produzi-lo, é ela que os motiva a agirem para torná-la realidade.

Pense nisso. Visão de futuro não é um quadrinho na parede ou um parágrafo no business plan. Visão de futuro é uma imagem dos resultados que toda a organização está comprometida a buscar. Ou não serve para nada.

Leia o seu quadrinho na parede e pergunte-se: se eu não fosse eu, mas um estagiário aqui, com contrato de seis meses, porque essa frase faria alguma diferença para mim? Se não achar uma boa resposta, jogue o quadrinho no lixo. E vá quebrar a cabeça para imaginar um futuro motivador para seu negócio.

Próximo post: Visão - a dimensão ética do negócio

2 Comments

  1. Eteocles Silva  •  set 1, 2010 @12:28

    Muito bem colocado o conceito de Visão, especialmente por reforçar que por vezes deva ser um papel do Lider Visionário e transcender o enunciado do nivel econômico para o de riqueza (aqui colocado como algo amplo, não restrito ao aspecto monetário, mas especialmente as relações).
    Um aspecto que considero importante é que durante a jornada (processo) de tornar a visão uma realidade, por vezes temos uma maior clareza e ampliação das possibilidades futuras/imaginárias. Desta forma é possível alterar a descrição da visão mesmo sem ter atingindo os resultados.
    Entretanto, as organizações não entendem bem o conceito e mudam a Visão ao sabor da dinâmica de mercado em que atuam. Se isto acontece, a forma de estabelecer e descrever a visão está completamente equivocada. Acham que por haver necessidade de revisar e criar planos estratégicos há mudanças frequentes de visão.
    Um abraço.

  2. alberto  •  set 1, 2010 @12:58

    Teo,
    obrigado por seu comentário.
    E, absolutamente, concordo com você quando destaca o imediatismo de grande parte dos planos “estratégicos”. O problema parece ser que o foco no produto, na própria organização ou na concorrência. Quando ajustamos o foco para priorizar o benefício para o cliente, nossa visão de futuro se torna mais acurada, nosso planejamento mais sistêmico e nossa contribuição mais perene.
    Abraços.
    Alberto

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